21 de dezembro de 2009

Parte 23 - Influências positivas.


Hoje irei falar de dois personagens, que são bem recentes na minha vida. Falo mais precisamente da Quenia, e do Leandro Zeus, ambos estão sempre comigo fazendo atividades.

Estou muito orgulhoso desses dois, aliás, de todos, mas hoje quero começar falando desses dois amigos em especial, e irei explicar o porquê desse meu orgulho.

Quando conheci os dois, cerca de três meses atrás, ambos eram recém-operados, e me lembro que com um mês, a Quênia estava afim de fazer uma caminhada pela Floresta da Tijuca. Marcamos, reunimos o grupo, mas infelizmente choveu nesse dia, mas mesmo assim ainda demos uma volta básica pela Floresta da Tijuca. Confesso que fiquei surpreendido, não só com a vontade da menina, mas também pelo o seu estado fisíco. Eu achava que estava muito cedo, mas não posso avaliar a condição de cada um, eu respeito muito isso.

Pois bem, tempos depois fizemos a primeira trilha, evento grande, na Pedra Bonita, lugar lindo e com um nível de dificuldade relativamente tranquilo. Fiquei no pelotão de trás, ao lado da Quenia, Glória e da Titha. A Quenia cansou bem, a pressão subiu, ficou com o rosto vermelho, enfim, estava dificil, paramos algumas vezes, mas com bastante vontade ela conseguiu subir.

Passamos um dia muito bom, tiramos umas fotos bacanas, lanchamos, papeamos etc. Foi um dia maravilhoso, muito agradável mesmo.

O Leandro eu o conheci na trilha do Morro da Urca, ele não subiu a trilha, fez apenas a caminhada na pista Claudio Coutinho, era um muito cedo para encarar, e também foi uma decisão pessoal dele. Só que logo depois, me surpreendi ao vê-lo inscrito na Trilha da Praia do Perigoso. Achei o máximo, e devagar o cara chegou lá!

Mas sabem porque eu estou contando isso tudo?

Simples! Os resultados estão começando a aparecer.

Neste final de semana, decidimos fazer a Pedra Bonita novamente, para o Leandro era novidade, mas para a Quenia não, ela já tinha feito, mas nas condições relatas anteriormente.

E o resultado? Eu diria sensacional, talvez este seja o termo que melhor se aplica. Ambos estão com outro condicionamento físico, subiram e nem pararam, nem reclamaram, chegaram no topo muito bem, e sem estarem ofegantes.

- Leandro relatou bem - Poxa! Quem diria que eu ia estar um dia...

Não tem preço ouvir isso!

Parabéns a todos, vocês são sensacionais. Continuem assim, pois o céu é o limite.

Abraços.

18 de dezembro de 2009

Reportagem: Seu corpo dá 13 motivos para você começar a correr já.

Correr sempre foi seu sonho. Mas a falta de tempo, o fôlego curto e a preguiça acabam adiando até a passadinha no shopping para a compra de um tênis novo. Você nem imagina o que está perdendo, afirma Valéria Alvim, especialista em fitness do Minha Vida. Esse esporte é uma atividade física completa, que faz bem ao corpo todo.

Duvida? Então confira abaixo a lista de benefícios que o exercício proporciona a você. Mas não se deixe enganar: para usufruir de tudo isso, é necessário dar piques regulares. O ideal para quem está começando é correr em dias alternados, de três a quatro vezes por semana, e fazer outra atividade aeróbia como bicicleta e natação nos outros dias , sugere Valéria. Se você já corre há muito tempo, vale fazer treinos mais puxados e específicos de três a quatro vezes por semana e treinos moderados ou leves nos outros dias.

A personal trainer informa que o tempo também pode variar de acordo com o condicionamento físico do aluno, as necessidades e os objetivos dele. Mas é possível ter benefícios com 30 a 60 minutos a cada prática. Em todos os casos, entretanto, a musculação e os alongamentos são essenciais para dar um bom suporte ao corpo, além de ajudar a melhorar a performance na corrida , completa. E, antes de começar, não deixe de ir ao médico e fazer uma avaliação física. Isso vai prevenir lesões e outros problemas de saúde que podem prejudicar a sua motivação.

1. Coração: a corrida exige que o coração aumente o fluxo de sangue para todo o corpo. As fibras do músculo se fortalecem e a cavidade aumenta. Há uma hipertrofia excêntrica do miocárdio (alteração na parede e na cavidade do ventrículo esquerdo) melhorando a ejeção sanguínea. Desta forma o coração bombeia mais sangue com menos batidas, se tornando mais eficiente. Com o aumento da circulação sangüínea pelo corpo, cresce a entrada de oxigênio nos tecidos.

2. Pulmões: correr faz com que o volume de ar inspirado seja maior, aumentando a sua capacidade de respiração. Há também um aumento da quantidade de oxigênio absorvido do ar atmosférico.

3. Ossos: estimula a formação de massa óssea, aumentando a densidade óssea evitando problemas como a osteoporose.

4. Pressão arterial: correr estimula a vasodilatação, o que reduz a resistência para a circulação de sangue. Há trabalhos específicos para alunos hipertensos, como trabalhar a velocidade em terrenos planos. Uma maneira de diminuir a sua pressão é trabalhando a velocidade em terrenos plano.

5. Cérebro: aumenta os níveis de serotonina, neurotransmissor que regula o sono e o apetite. Em baixas quantidades, essa substância está associada ao surgimento de problemas como a depressão.

6. Peso: quanto maior a intensidade do exercício maior a queima calórica e de gordura. A corrida ajuda a gastar muitas calorias, favorecendo a perda ou manutenção do seu peso. Em uma hora de treino, um atleta chega a queimar até 950 calorias.

7. Colesterol: diminui os níveis de LDL (colesterol "ruim"). Corredores de longas distâncias têm o nível mais alto de HDL (colesterol bom ), encarregado de transportar os ácidos graxos no sangue e de evitar o seu depósito nas artérias.

8. Estresse: com a corrida, há liberação do hormônio cortisol, aliviando o estresse e a ansiedade.

9. Sono: fazer atividade física, melhora a qualidade de sono. Correr faz a pessoa dormir melhor. Após o exercício, o corpo libera endorfina, substância que provoca a sensação de bem-estar e ajuda a relaxar.

10. Músculos: a corrida ajuda a melhorar a resistência muscular e também queima a gordura dos tecidos musculares, deixando-os mais fortes e definidos.

11. Rins: com o aumento da circulação, há também uma melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduzem o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo.

12. Articulações: correr torna a cartilagem das articulações mais espessa, o que protege melhor essas regiões tão frágeis do nosso corpo.

13. Aumenta a libido: após 30 minutos de corrida, há um aumento da testosterona que permanece assim, por mais uma hora aproximadamente. No caso das mulheres, também há um aumento dos hormônios relacionados ao desejo, além de aumentar a auto-confiança.

Créditos.: http://www.minhavida.com.br

Todos os direitos reservados.

Colaboração.: Denise e Priscilla.

14 de dezembro de 2009

Parte 22 - Uma grande conquista.


Olá!

Comecei uma nova atividade esportiva na minha vida, algo que sempre admirei, mas que pela limitações físicas decorrentes da obesidade, tornava-se impossível me dedicar a este esporte. Pois bem, falo de corrida, e venho treinando mais ou menos três vezes por semana, fazendo corridas de 5, 6 , 7, 8 e 10 km, para um dia encarar os 14 km da São Silvestre.

Como teste para iniciantes, resolvi realizar minha primeira aventura neste esporte, me inscrevi na Corrida e Caminhada da Longevidade, evento patrocinado pela Bradesco Seguros e Previdência S/A.

No dia da corrida, observei bem o nível de alguns competidores, coisa profissional mesmo, muita gente de academia, de grupos de corrida etc. Pensei que tomaria um banho dessa turma, pois eu sou um mero corredor solitário, fazendo minhas corridas no Aterro e no estacionamento do Wall Mart, tudo depois do trabalho é claro. Eu estava bem tranquilo, me concentrei, alonguei e papei com os meus amigos da Gastroplastia Carioca, ganhei abraços e beijos de pessoas especiais, o que me deu maior motivação para a prova.

Depois de colocar o dispositivo, que marca o tempo oficial preso ao tênis, iniciei numa tocada bem forte, passei vários competidores e me posicionei no pelotão do meio. Aos poucos fui mantendo e passando mais pessoas, e quando entrei nos últimos 1000 metros, arranquei, disparei com força e fazendo careta mesmo.

Resultado!

A corrida contou com cerca de 1800 inscritos, onde 1206 completaram a prova. Para a minha grande surpresa, completei o percurso em 33 minutos e 23 segundos, ficando na 426º colocação (tempo oficial). Na minha faixa etária, isto é, de 35 a 39 anos, fiquei na 51º colocação, sendo que nesta categoria eram mais de 120 competidores.

Para um iniciante neste esporte, foi um excelente resultado, fiquei na frente de muito competidor de academia. É muita felicidade! Muita alegria, me senti um campeão após cruzar a linha de chegada.

Só tenho a agradecer as pessoas que estão me dando força. Muito obrigado pelo incentivo.

Abraços.

3 de dezembro de 2009

Mais uma vez... Quem é você?

Numa das ultimas reuniões que eu participei, mais precisamente a do Dr. Aurélio Bottino, a psicóloga nos apresentou um presente, um presente para cada um de nós, ou seja, a nossa própria imagem refletida no espelho. Realmente eu nunca havia parado para pensar nisso, isto é, encará-la como um presente, mas achei interessante a colocação dela, na hora fiquei sem ação, olhando fixamente para o espelho, tentando lembrar como eu era há tão pouco tempo atrás.

Engraçado que a memória vai se apagando, as pessoas que estão mais próximas a você, já se acostumaram, e somente às vezes é que elas te reparam. Mas não me importo com isso, não estou querendo ser massageado no ego, apenas é um fato inevitável, dentro deste contexto todo de mudança de vida.

Mas sempre encontro pelas estradas da vida, alguém que não vejo faz tempo, outro dia vivi esta experiência, aliás, já havia vivenciado isto tempos atrás, mas desta vez foi até engraçado. Fui ao Fórum realizar uma audiência, e de repente, percebi que em um dos bancos, estava sentada uma colega de alguns anos. Gosto desses encontros, colocar o papo em dia etc, mas esqueço que mudei, e não foi pouco, 59 kg de gordura pelo ralo, e consequentemente, o meu reflexo no espelho é outro. A pessoa me olhou da cabeça aos pés, e não me reconheceu, simplesmente passou direto. Acabei ficando estarrecido, mas logo lembrei do reflexo do espelho...

Depois disso, resolvi entrar na brincadeira, sentei do lado da colega, passei a mão na cabeça, tirei os óculos, ela ainda me olhou, fez cara de pensativa, mas nada, nada dela me reconhecer. Eu comecei a rir, e quando o pregão (anúncio da audiência) me chamou, eu peguei no braço dela e disse:

- Olá! Estou aqui tentando falar contigo, mas você não me reconhece mais!

A pessoa ficou com uma cara de perdida, até me assustou um pouco, mas logo após a cara de espanto, deu lugar a um belo sorriso e com a tradicional pergunta... Uau! O que você fez? Mas confesso que só fala para alguns, pois aprendi a não ficar dando muitas explicações da minha vida.

Mesmo as pessoas que me olham por foto, quando as encontro pela rua, a reação é a mesma, mas não da para surtar, é só uma questão de acostumar com a sua imagem, creio que com o tempo, estes encontros que causam espanto vão acabar. Volta e meia eu dou uma olhada nas fotografias antigas, é impressionante como a gordura escondia o meu verdadeiro "eu", um disfarce que escondia uma pessoa por inteiro.

Nada como recuperar, ou mesmo ganhar, o rosto e a aparência que sempre tive vontade de ter. Marcas da obesidade? Claro que vou ter! Mas nem ligo para elas, todos que passaram por esta mudança de vida, com certeza carregarão algumas marcas, sejam elas físicas ou psicológicas.

24 de novembro de 2009

Eventos: Circuito de corrida e caminhada da Longevidade Bradesco Seguros e Previdência.

Olá.

Chegou a hora de um grande teste, acabei de realizar minha inscrição nesta corrida, venho treinando de três a quatro vezes por semana, correndo em torno de 8 a 10 km em 1 hora. O evento ocorre dia 13 de dezembro de 2009, com largada às 08:15 da manhã no Leme. O percurso terá em torno de 6 Km e deverá ser finalizado em 45 minutos, portanto, um grande teste para a minha nova condição de vida.

Me desejem sorte!

Informações no site da corrida.

19 de novembro de 2009

Reportagem: Quantos quilos vale sua vida?


Revista Época. Edição 599/2009 - Todos os direitos reservados.
Quantos quilos vale sua vida contou a história da advogada Daliana Camargo, que sofre as consequências de um procedimento polêmico contra diabetes.

Daliana Camargo queria ser magra. Fez uma cirurgia de estômago não regulamentada e hoje vive como inválida. Não pode nem tomar água. O que seu drama ensina sobre obesidade e ética médica Cristiane Segatto, de Goiânia.

Quem não gosta de comparar o “antes” e o “depois” de obesos que fazem cirurgia para emagrecer? Fotos desse tipo são irresistíveis. Adoramos acompanhar as mudanças físicas e os ganhos de autoestima que impulsionam a descoberta de uma vida nova. Em geral, a transformação é para melhor. Casos de insucesso – ou de catástrofe – existem, mas não costumam chegar ao conhecimento do público. São contados no campo das exceções, dos percalços inerentes ao desenvolvimento científico.

Esta reportagem começa com um “antes” e “depois” ao contrário. O que as fotos desta página revelam é a triste história da moça gordinha (1,58 metro e 76 quilos) e saudável que decidiu se submeter a procedimentos cirúrgicos para emagrecer. A advogada Daliana Kristel Gonçalves Camargo queria alcançar o padrão de beleza que sucessivas dietas e internações em spas não lhe permitiram atingir.

Hoje, aos 31 anos, Daliana não come. Literalmente. Durante todo o ano de 2009, não pôde colocar na boca nenhuma comida. Nem um gole de água. O que a mantém viva é uma preparação proteica que ela recebe por meio de uma sonda colocada no nariz. O tubo de plástico desce pela garganta, pelo esôfago e leva o líquido especial diretamente até o intestino, onde os nutrientes são absorvidos. O estômago dela tem uma fístula, uma espécie de vazamento, que, apesar de todas as tentativas de fechá-la, de tempos em tempos volta a abrir. É por isso que Daliana não pode comer. O que entrar em seu estômago pode sair pela fístula, cair na cavidade abdominal e provocar uma grave infecção. Há duas semanas, uma tela foi colocada no órgão na tentativa de tampar o orifício. Se não funcionar, o estômago terá de ser extraído.

Na semana passada, Daliana me recebeu no quarto de sua casa, em Goiânia (leia a entrevista). Na quarta-feira, o Conselho Nacional de Saúde considerou ilegal a técnica cirúrgica a que ela foi submetida, conforme revelou epoca.com.br na manhã da sexta-feira. Daliana passa o dia deitada na cama, presa à sonda de alimentação e ao dreno que leva para fora do corpo um líquido amarelo. É uma mistura de saliva e pus. Com 56 quilos, Daliana não passa fome. Mas sente muita vontade de comer. “Poder beber água já seria muito bom”, disse. “Uma papinha, então, seria o céu.” A vontade de comer atormenta. Em momentos de crise, ela arranca tufos de cabelo e esfrega um joelho no outro até sangrar. Sente-se melhor quando toma o antidepressivo Daforin. A família se esforça para que Daliana não seja confrontada com imagens de comida. Instaurou-se na casa um regime de censura prévia. Páginas de revista com anúncios de comida são arrancadas. DVDs que mostrem atores comendo qualquer coisa – até uma simples maçã – são banidos. A nova ameaça está no quintal: é a mangueira carregada de frutos tentadores.

Daliana foi operada pelo médico Aureo Ludovico de Paula, que realiza cirurgias em Goiânia e no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O cirurgião construiu uma carreira bem-sucedida. É bastante influente no Centro-Oeste e já operou muitos famosos. Entre eles o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o apresentador de TV Fausto Silva. Faustão decidiu procurar o médico quando soube que ele tinha inventado uma técnica cirúrgica para combater o diabetes. Nos últimos anos, ela foi amplamente divulgada no Brasil. Em 2007, uma revista semanal dedicou uma reportagem de capa ao método de Aureo. Estampou uma maçã do amor na capa e a chamada “Cura do diabetes: a esperança está numa cirurgia”.

Centenas de pacientes diabéticos (magros ou gordos) foram submetidos à técnica. Ela é chamada de interposição do íleo. A parte final do intestino delgado (íleo) é deslocada para a porção do intestino mais próxima do estômago. A lógica por trás dessa ideia é a seguinte: como o alimento chega mais rapidamente ao íleo, aumenta a produção de hormônios do intestino que facilitariam a secreção de insulina pelo pâncreas. Além disso, é feita também uma redução de cerca de 40% do estômago. O paciente perde peso, o que diminui a resistência do organismo à insulina. Em congressos e em artigos que publica em revistas médicas, Aureo afirma que quase 90% dos doentes ficam totalmente livres do diabetes. É possível, mas a técnica que ele adota não foi aprovada para uso em humanos em nenhum lugar do mundo. Portanto, a segurança e a eficácia da cirurgia – e seus efeitos a longo prazo – são desconhecidas.

Mesmo sem ser diabética, Daliana foi submetida à interposição ileal. As circunstâncias em que essa cirurgia foi realizada deram origem a um escândalo que movimenta as principais entidades médicas, o Conselho Nacional de Saúde, o Ministério Público Federal e já chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Tudo começou quando, encorajada pela mãe, Vera, Daliana procurou o médico em 2002. Pesava 76 quilos e passou por uma cirurgia para colocação de um balão intragástrico, um método usado há muitos anos que, ao preencher o espaço de parte do estômago, não permite a ingestão de muita comida. Depois de seis meses, a perda de peso havia sido insatisfatória. “O doutor Aureo me disse que, seu eu pesasse 100 quilos, poderia fazer a cirurgia de redução de estômago”, diz Daliana. “Comecei a comer loucamente. Engordar era muito mais fácil do que emagrecer. Cheguei a 98 quilos e fiz a cirurgia em 2005.” Daliana e a mãe assinaram um termo de ciência autorizando a realização de uma gastroplastia laparoscópica. Gastroplastia é um nome genérico para designar redução do estômago. No relatório da cirurgia assinado pelo médico, porém, consta que ele realizou uma “gastroplastia vertical associada a interposição ileal”.

A família de Daliana diz que não foi informada de que ela tinha sido submetida a uma cirurgia não regulamentada. “O médico não nos explicou nada sobre isso. Achamos que minha filha faria uma redução de estômago convencional, a mesma que tanta gente já fez”, diz a mãe de Daliana, a funcionária pública Vera Lúcia Gonçalves de Camargo. “Vimos o termo interposição ileal no relatório dele, mas não estranhamos nada. Somos leigos.” A família afirma ter pago R$ 28 mil pela cirurgia. Daliana diz que sua vida nunca mais voltou ao normal depois de ter sido operada. “Mesmo comendo devagarzinho, eu só vomitava. Eu procurava o médico, e ele dizia que o problema era meu, que eu não sabia comer direito.” Nos últimos anos, ela foi submetida a vários procedimentos para tentar fechar uma fístula em seu estômago. Ficou internada por longos períodos, inclusive na UTI. Esteve entre a vida e a morte.

Na semana passada, o Conselho Nacional de Saúde se manifestou oficialmente sobre o assunto. Segundo o órgão que faz parte do Ministério da Saúde, a operação feita por Aureo é ilegal. O Conselho entrou com uma representação no Ministério Público Federal, em Goiânia, pedindo providências à procuradora Léa Batista de Oliveira. O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, espera que a procuradora entre com uma ação judicial impedindo a realização desse procedimento no Brasil. A cirurgia não é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina como são todas as técnicas cirúrgicas consagradas. Poderia ser considerada experimental. Mas, para isso, o médico precisaria ter registrado um protocolo de pesquisa na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Esse registro nunca existiu.

“Se a técnica não está formalizada nem é experimental, ela é ilegal”, afirma Batista Júnior. Segundo ele, o Conselho Nacional de Saúde está preocupado com as pessoas que fizeram a cirurgia e acham que estão bem. “A cirurgia atua sobre uma porção do intestino que é fundamental para a absorção de nutrientes. Essas pessoas precisam saber que correm o risco de desenvolver complicações imprevisíveis que podem até levar à morte.” Batista Júnior afirma que o Conselho Nacional de Saúde pretende mapear todos os pacientes que passaram pela cirurgia e acompanhar a evolução deles. “Não existe substrato na literatura científica para que essa técnica seja oferecida à população. Ela é feita por um único cirurgião, que apresenta resultados sem auditoria”, diz Thomas Szegö, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Segundo Szegö, não é possível dizer neste momento se a técnica é boa ou ruim. “Ninguém está dizendo que a técnica é ruim. Estamos dizendo que é preciso comprovar se ela é boa ou ruim antes de oferecê-la aos pacientes”, afirma. “Se for comprovado que ela é segura e eficaz, vamos incorporá-la ao arsenal médico.” O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, afirma que os pacientes de Aureo não estão sendo devidamente informados sobre a falta de aprovação da cirurgia e sobre o risco de aparecimento de resultados inesperados.
A família não entende também por que Daliana foi submetida à interposição do íleo se ela nunca foi diabética. Não há comprovação de que seja seguro recorrer a esse expediente para reduzir a vontade de comer. Para obter exclusivamente esse efeito, existem as cirurgias clássicas de redução de estômago já testadas, reproduzidas ao redor do mundo e regulamentadas. A família entrou na Justiça de Goiânia com uma ação contra o médico. Pede o pagamento das despesas médicas e uma indenização de R$ 10 milhões. “Esse não é um caso de erro médico. É um caso grave de experiência médica sem consentimento”, diz o advogado da família, Marcelo Di Rezende Bernardes.

“Não há base na literatura médica que justifique o uso dessa técnica”, diz Szegö
A procuradora Léa Batista de Oliveira, do Ministério Público Federal, em Goiânia, investiga o caso desde julho. Recebeu nesta semana a representação do Conselho Nacional de Saúde. Pretende entrar com uma ação penal de lesão corporal e exercício ilegal da medicina contra Aureo Ludovico de Paula. Antes disso, vai solicitar que Daliana seja submetida a uma perícia médica e vai ouvir o médico. “Com base nas investigações que fizemos até agora, tudo indica que esse é um caso de grave violação dos direitos humanos”, diz Léa. “Estamos diante de experiências realizadas em desconformidade com todas as normas vigentes. O médico não informa devidamente os pacientes sobre os riscos da cirurgia, não tem protocolo de pesquisa, faz publicidade de uma técnica não regulamentada e cobra por ela”, diz Léa.
Na quarta-feira, ÉPOCA esteve no consultório do médico Aureo Ludovico de Paula, em Goiânia. Ele se recusou a dar entrevista e fez ameaças jurídicas. Disse que não fala sobre sua técnica nem sobre o caso Daliana. Em sua defesa no processo que corre no Tribunal de Justiça de Goiás, porém, o médico alega que “a cirurgia não é experimental, e sim uma variante técnica de uma cirurgia consagrada há mais de 20 anos”. Afirma que “a paciente não foi objeto de nenhuma pesquisa, e sim de terapêutica para obesidade e que a complicação ocorrida aparece na mesma frequência em outras operações bariátricas”. Diz que “a fístula é uma resposta orgânica espontânea da paciente. É intercorrência imprevisível, uma complicação pós-operatória sem nenhum nexo com o procedimento realizado adequadamente”.

Muitos pacientes operados por Aureo dão testemunhos de bons resultados. Procurado por ÉPOCA, o apresentador Fausto Silva disse que está bem, mas não quis dar detalhes sobre sua saúde. Aureo está sendo injustiçado, como acreditam leitores da reportagem publicada no site de ÉPOCA? Pode ser. Não é impossível que no futuro a técnica de Aureo passe a ser usada no mundo todo e ele seja consagrado como pioneiro. Para que as técnicas cirúrgicas avancem, é preciso uma dose de ousadia. Se não fossem os profissionais que aceitam correr os riscos, muitas possibilidades cirúrgicas disponíveis hoje simplesmente não existiriam. Mas, quando um cirurgião decide testar em humanos uma técnica nova, deve fazer isso com toda a transparência, de acordo com as normas vigentes no país e submeter-se à avaliação isenta dos resultados. Os fatos sugerem que Aureo não obedeceu a esses procedimentos.

Outras estratégias cirúrgicas para tentar reverter o diabetes estão sendo testadas no país. Mas os protocolos de pesquisa foram devidamente avaliados e aprovados pela Conep. O cirurgião Ricardo Cohen, do Centro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, testa uma técnica chamada de exclusão duodenal. O duodeno é a primeira parte do intestino delgado. Ele é excluído do processo digestivo por meio de laparoscopia. Além disso, cerca de 20% do estômago é retirado para eliminar a produção de grelina, o hormônio da fome que piora o diabetes. A alteração parece aumentar a produção de hormônios que melhoram a ação da insulina no pâncreas. “Fomos os primeiros no mundo a testar essa técnica e acompanhamos os pacientes há quatro anos”, diz Cohen. “Não podemos falar em cura, mas, um ano após a cirurgia, 75% dos pacientes ficam com a doença controlada. Não precisam mais tomar insulina nem remédios.” Cohen obteve autorização das autoridades para começar outro estudo. Vai comparar a técnica cirúrgica com o melhor tratamento clínico disponível atualmente. O estudo tem a participação de pesquisadores da Universidade de Washington e será feito no Hospital Pró-Cardíaco, do Rio de Janeiro. Nenhum dos voluntários pagará nada.

É assim, a passos lentos e planejados, que a medicina avança. Muitas vezes, porém, esse processo é incompatível com a ansiedade dos pacientes que buscam novos recursos. Os brasileiros, em particular, têm adoração pelo que é novo, novíssimo. Isso pode ser bom quando se trata de um bem de consumo qualquer: um celular, um carro, um tocador de música. Quando a questão é saúde, a história é outra. Nem sempre a técnica cirúrgica mais moderna é a melhor. Faz sentido buscar uma técnica experimental quando os médicos não têm mais nada a oferecer. Não faz sentido procurar desesperadamente por uma novidade (e pagar caro por ela) quando estão disponíveis recursos que já tiveram sua eficácia e sua segurança comprovadas.

16 de novembro de 2009

Parte 21 - O primeiro aniversário de um emagrecido.


Hoje é um dia especial, faço aniversário... Pois é, estou ficando mais experiente! Como suportar esse turbilhão de emoções? Se fazer aniversário já é uma coisa boa, imagine juntando isto tudo a sua nova condição de vida!

É algo novo, diferente, estimulante... São várias definições, hoje recebi ligações o dia inteiro, foi ótimo, maravilhoso. Velhos amigos, novos amigos, colegas, todos me cumprimentaram pelo dia, mas não somente pela idade, mas pela nova atitude perante à vida, pois sou um novo homem, com um leque de oportunidades pela frente.

Gostaria de agradecer a cada amigo, que junto comigo, pode acompanhar minha luta contra à obesidade.
Não há nem espaço para tantas mensagens aqui. Mas colocarei algumas que recebi e que sou muito grato.


C.H.

"Gordinho"! Não adianta, você pode pesar 40 kilos, mas irá ser sempre o meu amigo "gordinho" que eu sempre adimirei, você é um exemplo de determinação". Parabéns!

P.

Você é tudo de bom...
Você tem o dom de mudar a vida das pessoas... E para melhor! Estou aqui procurando palavras para dizer o quanto você é especial...Você é tudo de bom... As pessoas não sabem o que é você. Independente deste cara solícito e sempre bem humorado, um cavalheiro, um irmão, um amigo, um amor. Você tem a transparência na alma. Eu nunca irei me cansar de dizer, que se mexer com você, eu viro um monstro. Amo você.♥ Obrigado por existir em nossas vidas.

A todos vocês, o meu muito obrigado.



2 de outubro de 2009

Parte 20 - Tamanhos Especiais?


Vida de obeso não é fácil, comprar roupa então nem se fala, é muita dificuldade, constrangimento e falta de opção. Confesso que eu tinha medo de comprar roupa, pois nada estava servindo, e, além disso, eu não aceitava que tinha que comprar roupas em lojas de tamanhos especiais.

Por várias vezes, as minhas visitas ao shopping para comprar roupas, tinham um desfecho traumatizante. Eu entrava em lojas de moda jovem, paquerava a vitrine e quando procurava pelo GG... Pois é, e não achava mesmo, a vendedora já me olhava com a cara de “perdi a venda, não tem o número dele”. Eu fazia de tudo para não entrar na loja, pois eu sabia que existia um rodízio no atendimento, a pessoa perdia a sua vez e consequentemente a oportunidade de vender para alguém de corpo normal. Ficava chateada tanto quanto eu, e com toda a razão, por isso que eu só entrava na loja, quando eu realmente sabia que ia encontrar alguma coisa.

Mas a grande maioria, ou seja, em torno de 80%, não tinha o meu manequim mesmo, eu não achava o meu número. Recordo-me que certa vez, quando entrei nas Lojas Renner e fui procurar uma blusa social, olhei para o GG que estava pendurado na arara, e tive a nítida impressão que eu realmente era uma baleia, eu virei a blusa para um lado, virei para o outro, e nem o braço entrava. Um vendedor que estava perto virou-se e disse:

- Não esquenta não amigo! Essa marca de roupa ai só faz blusa para pagodeiro. Na hora eu não entendi, mas ele explicou! – Você não sabia? Os pagodeiros só usam camisa “mamãe estou fortinho”, vai ser difícil de você encontrar alguma coisa hoje.

Eu me sentia muito mal com essa situação, me sentia um saco de batatas vagando pelo shopping, mas era uma realidade, só que aceitar é que era difícil e por mais bem vestido que eu poderia estar, não me sentia bonito e atraente. Se sentir bonito todo mundo quer, e eu nunca deixei de ser vaidoso, apesar de ser jovem, acabava usando umas roupas que me deixavam muito mais velho, era falta de opção mesmo, a calça jeans por exemplo, era um acessório que não fazia mais parte da minha vida, eu não comprava uma calça dessas a pelo menos uns 7 anos.

Blusas de malha sempre marcavam a minha barriga, eu ficava esticando cada uma delas, puxava com raiva mesmo, puxava até esgarçar a gola se possível. E os “seios”? Se não eram seios eram o que? Minhas mamas pareciam seios de moça mesmo, eu tinha muita vergonha das mamas, volta e meia eu me recordava um pouco da minha adolescência, quando gente da minha própria família, não a de casa, mas primos, primas, tios e tias, me diziam em tom de “brincadeira”, quando é que eu iria comprar meu primeiro sutiã.

Esta semana agora sai para comprar roupa, na verdade umas duas blusas, para usar com terno mesmo. Andando pela rua, logo dei de cara com uma loja de tamanhos especiais, é fácil identificá-las, basta olhar aquele boneco grande, isto é, explicando melhor, falo do manequim obeso que eles colocam logo na frente, com o seguinte slogan:

Temos tamanhos especiais!

Nossa! Veio logo um filme na minha cabeça, de tudo o que eu passei na minha vida. Dor, sofrimento e constrangimento, são coisas que eu não vou esquecer nunca mais, confesso que é o que me mantêm focado.

Parei na frente da loja e veio o vendedor falando:

- Bom dia senhor! Posso ajudá-lo?

Eu fitei o jovem nos olhos e disse:

- Acho que não meu jovem! Só posso te dizer uma coisa, eu nunca mais quero usar uma calça desse tamanho, pois um dia eu tive que vestir o número 54 e hoje eu visto 38 ou 40, dependendo do corte ou do fabricante.

Saí de lá e fiquei pensando... Tamanhos especiais? Fala Sério! Tamanho especial é o que eu uso agora.


28 de setembro de 2009

Parte 19 – Eles estão por toda a parte.


Nas minhas andanças por ai na rua, eu sempre que fico observando a todo o instante, comportamentos e hábitos da vida moderna. É inevitável você não pensar na sua nova condição de vida, pois as ofertas calóricas estão por toda a parte. Voltando outro dia do trabalho, parei o carro em um sinal, e logo veio o garoto falando:

- Tio! Ajuda aí! É só 1 Real cada!

Bom, não se trata de uma questão social, até porque eu sempre ajudo a quem precisa, mas o que você mais vê sendo vendido em sinais de trânsito, são os benditos doces, biscoitos recheados e chocolates, ou seja, opções nada saudáveis, não só para nós, mas como também para as pessoas sem problemas de peso.

Não deixei de gostar de chocolate, mas o fato é que me seguro mesmo para não gastar dinheiro com essas besteiras, pois foram elas que contribuíram muito para o meu infeliz namoro com a obesidade.

A obesidade é uma doença crônica, e de difícil solução, não existe cura, mas existe controle. Esse é o “feeling” que devemos pegar. E eu peguei este sentimento, pois durante anos fui sentenciado e condenado a uma das piores prisões da vida, uma prisão dentro de um corpo que não era meu, ou melhor, até era meu sim, mas não condizente com o meu espírito de garra e de atividade para a vida.

Quando vejo essas coisas perambulando pelo os meus arredores, procuro logo desviar a atenção para outra coisa, pois não posso negar, o prazer de comer um chocolate é muito grande, tanto é que uma vez por semana, eu compro uma barrinha de chocolate diet, mas só para matar a vontade, sei me controlar. Antes era chocolate e mais chocolate todos os dias, era um vício, não quero dar sopa para o azar. Se deixar, posso cair em tentação e acabar ingerindo além da conta.

Mas minha cabeça está trabalhada, eu literalmente faço conta, se ingiro 100 calorias, eu já fico pensando como irei gastá-las, e vejo que as atividades físicas, estão me auxiliando bastante na manutenção do peso. Quero e sei que devo continuar com este pensamento, nunca perder o foco, pois é inegável o prazer que eu tenho hoje em dia, aliás, muito maior do que comer um simples chocolate. Se me tornei um prisioneiro do meu próprio corpo, tenho culpa sim! Fui responsável por tudo, minha família também, pois desde criança eu não tinha freio. Hoje essa responsabilidade está voltada para o estímulo de perda de peso, envolvendo não só o equilíbrio emocional, mais também os aspectos nutricionais.

Ontem foi dia de São Cosme e Damião, e logo quando cheguei ao escritório, já fui vendo os doces na minha frente. Aceitei de um amigo uma bala Juquinha e um quebra – queixo e só, pois os amigos ajudam a controlar, não querendo ser chatos, e sim preocupados com a minha saúde, um deles até falou:

- Olha ai rapaz! Não vai passar mal!

Com o tempo você sabe até onde você pode ir, quer dizer, eu até não sei onde posso ir, pois se tenho vontade de comer um doce, eu praticamente só provo, não quero realizar testes e ver de fato, até onde eu posso ir com os doces, não quero saber mesmo! Eu acabei aceitando o doce, era pequeno e também acho que podemos fazer o nosso social, basta não exagerar, mas já meus amigos... Nossa! Foi doce o dia todo! Eu era assim, e não era só nessas datas festivas, era todo o dia, pois o prazer momentâneo de comer um doce, compensava o arrependimento posterior.

Informações Importantes:

1 pacote de biscoito recheado = 10 pães franceses;

1 lata de refrigerante = 11 colheres de açúcar.

E você ainda vai continuar dando este "lanchinho" para o seu filho?

27 de setembro de 2009

Cobertura: II Encontro sobre Obesidade Mórbida.


O evento faz parte do Projeto Vida de Madureira.

Resumo:

A palestra foi de grande valia para o público que compareceu, foram abordados diversos assuntos em face à gastroplastia. Os palestrantes foram bastante esclarecedores, procuraram tirar as dúvidas mais frequentes, mostraram as técnicas utilizadas, mencionaram os aspectos psicológicos, nutricionais e por fim, foram ouvidos testemunhos de pessoas, que já se submeteram à cirurgia, mas que estavam ali para demonstrar bons resultados e incentivar as pessoas a mudarem de vida também.

Participaram das palestras os Drs. Jatir Lugon Ribeiro, Mauro Coelho de Carvalho, José Alberto Galvão Cruz, Aline Nabuco, Beatriz Ohana e Aurélio Bottino.

Houve a participação muito esclarecedora do Dr. Rafael Carvalho, psicólogo da equipe, que rapidamente abordou os transtornos mais em evidência nos obesos.

O próximo encontro será dia 07/11/2009 às 09h30min, no Hospital Pasteur.





Até lá!

24 de setembro de 2009

Parte 18 - Eu te conheço?

Olá pessoal!

Depois de um ano muita coisa mudou, para muito melhor é claro, mas continuo passando por experiências novas nesta nova fase da vida. Falo de comportamento, tanto meu, quanto das pessoas que me cercam, ou das que estiveram por perto, e por uma “travessura” do destino, acabaram se afastando.

Ultimamente as abordagens tem sido curiosas, eu não diria que acho estranho, mas diria no mínimo impressionante. A reação das pessoas que não me vêem há algum tempo, não só tem massageado muito o meu ego, mas também tem me assustado em alguns momentos.

No último domingo, no final da tarde, resolvi ir para um dos lugares que eu mais gosto, o Maracanã, fui assistir o meu time do coração e ainda levei minha mãe comigo. Diante de 50 mil pessoas, se você for um frequentador do lugar, e de fato eu realmente eu sou, é óbvio que você encontrará com algum conhecido.

Foi exatamente isto que aconteceu, comprei meu ingresso, e desta vez de cadeira, pois prefiro a arquibancada pra sentir mais emoção (Neguinho da Beija - Flor)... Entrei e sentei nas cadeiras azuis com a minha mãe, e fiquei olhando para um lado e para o outro, de forma despretensiosa, procurando por algum colega.

O fato é que você poderá ser abordado sim, por um amigo ou colega, mas esta situação só tem acontecido com as pessoas que me conhecem a pouco tempo, ou que participaram do processo de emagrecimento de um tempo para cá.

De repente avistei um amigo! Um amigo que não encontrava desde 1999, dos meus tempos de mercado segurador, quando eu trabalhava numa grande seguradora do Mercado. Pedi licença a minha genitora e fui lá falar com ele. O cara era meu camarada de verdade, sentávamos um do lado do outro, e o que não faltaria era assunto naquele momento. Pois bem, eu o abordei:

- Grande Antonio! Caramba! Quanto tempo meu amigo!

Esperava uma reação idêntica por parte dele, mas não, o cara estava estarrecido e totalmente frio. A princípio estranhei, mas continuei levando o papo a diante e puxando assunto, pois faltava muito para o jogo começar, tinha tempo de sobra para um bom papo. Conversamos por meia hora, falamos de pessoas conhecidas em comum, falamos do jogo, do antigo trabalho de ambos, e nada do amigo ficar à vontade.

Depois de mais de meia hora, foi que ele parou a conversa e disse:

- Caramba! Eu não acredito - Abrindo um sorriso. É você Luis Henrique? Caramba! O que foi que você fez? Vou te confessar que só agora eu sei quem é você, e por isso eu estava aqui desconfiado e tudo.

Depois disso foi uma gargalhada só, falamos mais um pouco, contei o que havia acontecido e me despedi, pois o jogo já iria começar. Fui ao encontro da minha mãe, e chegando lá contei a experiência.

Depois de assistirmos a vitória do Mengão, voltamos para casa, mas de noite ao cair da noite, coloquei a cabeça no travesseiro fiquei pensando em tudo... Fiquei imaginando esta reação das pessoas, e por mais que eu tenha curtido muito da minha vida mesmo sendo obeso, acho que agora eu realmente seja uma pessoa nova, isto é, que começou a nascer aos 33 anos de idade, e tendo uma vida toda pela frente de novas experiências. Eu penso que o importante é ter agora equilíbrio emocional, pois a quantidade de elogios podem te levar a um falta de identificação com o seu “eu”, e este equilíbrio, eu procuro renová-lo todos os dias.

18 de setembro de 2009

Aniversário.



Pois é pessoal.

Hoje faz um ano que coloquei aquela meia apertada, entrei numa sala fria e depois cortei a barriga.

Faria tudo de novo? Claro!

Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades... Muitos anos de vida!
Viva!

Parece estranho, mas hoje eu e olho o reflexo da imagem no espelho, e vejo uma pessoa que eu nunca conheci.

Na verdade, nunca imaginei que um ano após a gastroplastia, eu estaria tão diferente. Para se ter uma idéia, recentemente encontrei um grupo de colegas, que trabalharam comigo no ano passado. Todos ficaram olhando... Pararam, coçaram a cabeça e apresentaram aquela feição de espanto - Será que é ele mesmo? Prontamente eu me manifestei, pois estava achando que realmente era aquilo que estava acontecendo.

- Olá pessoal! Sou eu sim! Não tenham medo - expressando um semblante de alegria - Tudo bem com vocês? E estava contente por revê-los, poder colocar o assunto em dia é muito bom, mas a massagem no meu ego foi algo sem palavras.

Esses encontros rendem bastante assunto, pois logo perguntam o que você fez, e é a partir daí que entra em ação o "Dr. Luis Henrique Marques", especialista em cirurgia bariátrica. Brincadeira! De forma alguma, apenas um estudioso no assunto, já que autoconhecimento não faz mal a ninguém.

Pacientemente, e de forma objetiva, explico tudo, ou dependendo do tempo, quase tudo. O assunto rende muito, mas percebo que só quem entrou no "Universo Gastroplastia", sabe melhor o assunto, ou pelo menos deveria saber. Desconhecimento total, mas mais pelas informações equivocadas que circulam por ai, do que qualquer outra coisa.

Este primeiro ano foi fundamental, pois trata-se do renascimento para a vida. A palavra que mais rondou a minha mente, sem sobra de dúvidas é a palavras disciplina. Disciplina para tudo e a qualquer preço, tanto para exercícios, como também para os hábitos alimentares, esta última, talvez seja a maior e mais difícil mudança, que você tenha que realizar na sua vida.

Fazendo uma analogia, tratar um paciente que está deixando uma obesidade mórbida, é como se fosse tratar um alcoólatra com bebida! Não vamos deixar de comer, é obvio, pois se fosse desta forma não haveria vida. Mas imaginem só! Ninguém vai deixar de gostar das coisas que o levaram à obesidade mórbida, mas a pessoa tem que aprender ela não vai poder mais traçar uma pizza inteira a cada sábado ou domingo, mas ele vai poder comer uma fatia esporadicamente, fazer uma social, pois a vida continua.

E por falar em vida, e mudando um pouco o assunto, estou prestes a entrar numa equipe de corrida, quero me preparar para a meia maratona do Rio ano que vem, quero levar a bandeira da gastroplastia lá, a nossa bandeira é do renascimento, a bandeira dos vencedores.

Agradeço mais uma vez a todos, que continuam me ajudando a vencer o fantasma da obesidade.

15 de setembro de 2009

Parte 17 - Uma imagem, mil palavras e uma conclusão.



Outro dia estava no Shoopping, e comecei a reparar a falta de alternativas que temos para nos alimentarmos. Impossível você não passar pela praça de alimentação, e não reparar no que está sendo servido. Nos tradicionais fast-food, eu nem perco meu tempo, mas eles são 90% nos shoppings, parece uma espécie de vício e cultura que querem impor a todo custo na sociedade.

Nesta semana que passou, eu tive que sair do trabalho e ir ao shopping resolver uns assuntos particulares, quando deu o horário do jantar, bateu aquele vazio que todos nós sabemos. Em outros tempos, seria aquela fome "animal", mas desta vez, para quem se acostuma e come nos horários corretos, era uma sensação de vazio, ou seja, estava na hora de por algo para dentro, e seria nada mais nada menos, que o jantar, isto é, uma refeição nobre, digamos assim.

Procurei horrores, e resolvi comer um salgado integral no Mundo Verde, passei no Rei do Mate, pedi um mate com leite, que é uma espécie de shake. Pois bem, começou aquela sensação que muitos conhecem, quando ingerimos algo com açúcar ou um pouco de gordura. Caminhando pelo shopping começou... Suor frio, taquicardia, enjôo etc... Eu falei:

- Puts! Dumping agora não!

E não adianta, eu passo muito mal mesmo, voltei no Rei do Mate e pedi para ver o leite que o cara usava, nem me toquei, mas era o Integral, ou seja, o que tem mais teor de gordura. Peguei um taxi e me mandei para casa, e cheguei passando muito mal mesmo. Engraçado que o taxista queria me levar para o hospital.

Conclusão!

Observando a imagem acima, eu realmente teria mil palavras para definir essas "lojinhas de gordura", mas quero fechar mesmo este breve texto com a seguinte mensagem:

- O fast-food é com certeza a maior "praga" que inseriram em nosso cotidiano, onde as pessoas trocam muitas vezes uma refeição principal e nobre, por uma "bordoada" de 2500 calorias de uma vez só, isto é, o que um ser humano necessita durante todo o seu dia.

De agora em diante, irei ao shopping depois do jantar!

14 de setembro de 2009

Parte 16 – Contradições no Universo da Gastroplastia.

Nem tudo pode ser considerado uma utopia, aliás, quase nada, muito menos alguns aspectos no Universo da gastroplastia. Pois bem, tenho observado o comportamento da sociedade, isto é, não só de gastroplastizados, mas também de profissionais, e de todo um contexto que envolve vários aspectos da gastroplastia. Já foi dito por mim mesmo, aqui mesmo neste site, que a gastroplastia é uma vida de cumprimento de regras. Baseado nisto, fico muitas vezes estarrecido com a falta de foco/objetivo, comportamento e postura de muitas pessoas diante deste Universo, que é a gastroplastia.

Não se trata de tomar conta da vida das pessoas, pelo contrário, não é isto que estou querendo dizer, mas torna-se inevitável não observar, é notório e explícito o falso "mundo real" criado por alguns.

Sendo mais específico, estou falando primeiramente de pessoas que acreditam fielmente, que uma cirurgia bariátrica, é um tratamento de estética e beleza. Sou muito observador, e como se fosse uma velha águia em busca de sua presa, eu tenho acompanhado o cotidiano de muitos e tenho reparado em comentários estranhos, alguns já me perguntaram coisas do tipo:
- Quantos kg você teve que engordar para operar? Eu respondi no ato: - Engordar? Como assim engordar para operar?

Francamente... Engordar para operar? Acho uma loucura e falta de direcionamento! Pois bem, existem pessoas assim, e como disse anteriormente, eu mesmo conheço algumas. Essas pessoas são sérias candidatas a darem tudo errado, e posso lhes garantir, sem rogar qualquer tipo de praga, já que não é do meu feitio, é exatamente isto que vai acontecer.

Juro que na minha vida nunca pedi para ser obeso, as coisas foram acontecendo ao longo do tempo, sempre lutei contra esta doença, sempre tentei me livrar, mas não é fácil vencer esta guerra, que aliás, continua até hoje. Eu confesso que nunca na minha vida, eu pensei que me submeteria a um procedimento cirúrgico desses, isto é, de grande complexidade. Mas eu não estava vendo saída, as comorbidades eram muitas, era preciso "radicalizar", digamos assim. O assunto sempre será tratado de forma séria por mim, não é uma brincadeira ou tão pouco um jogo, existem intolerâncias, problemas psicológicos e muitos transtornos que podem acontecer, não com todos é claro, mas com uma parte poderá acontecer.

Ouvi outros relatos bastante esquisitos, do tipo – Sabe? Você pode comer doces, experimente os doces pastosos e tal... Não adianta emagrecer o corpo, se a mentalidade continua de um obeso. Esta é a grande diferença, daqueles que vão ter sucesso, e daqueles que infelizmente não terão.

Outro dia falei das festividades, acho que ninguém está proibido de participar de festas, elas sempre estarão presentes em nossas vidas, mas o que eu vejo, até mesmo em festas e reuniões de “ex-gordinhos”, são verdadeiras farras gastronômicas, a começar pela própria bebida alcoólica, uma verdadeira contradição, um comportamento completamente adverso. Alguns com mais tempo de gastroplastia, os que deveriam passar um pouco mais a sua experiência, parecem que vivem mesmo numa utopia. Vejo pessoas que parecem que nem emagreceram tudo o que deveriam, até porque, diante de tal comportamento contraditório, evidentemente já ganharam alguns quilos. Eu acho tudo muito esquisito mesmo, eu particularmente não quero copiar este exemplo, eu até batizei de "lado negro da força", (plagiando um pouco a Trilogia Star Wars), muito pelo contrário, procuro realizar as atividades que eu sempre gostei, isto é, atividades físicas, mas que infelizmente foram ficando de lado por causa da obesidade.

E falando das atividades físicas, são raros encontrar passeios e caminhadas de grupos de gastroplastizados, eu mesmo já organizei alguns e no dia do evento, poucos resolveram levantar da cama, a preguiça infelizmente fala mais alto.

Outro assunto muito importante e delicado, que até foi veiculado em outro site, envolve diretamente um “mercado” que estão querendo criar, isto é, um comércio da gastroplastia, uma verdadeira banalização de algo, que só deveria ser recomendado em situações extremas. Além de ser um absurdo, já que como foi dito anteriormente, cirurgia bariátrica não opera nenhum milagre, é de uma falta total de ética, expor anúncios do tipo “Entre aqui e mude a sua vida”. Isto é “tapar o sol com a peneira”, é se enganar por completo, em achar que cirurgia bariátrica faz "mágica", posso lhes garantir que não faz mesmo, ela é apenas um auxílio, um instrumento, um estímulo para uma grande mudança de hábitos.

Por fim, a minha crítica final vai para a própria sociedade “in totum”, todos nós sabemos que estamos numa verdadeira epidemia de obesidade, e só agora é que a indústria alimentícia começou a se preocupar com o bem estar das pessoas? Será? Talvez! Espero que não seja apenas uma “modinha” passageira, e sim uma mudança cultural.

Mas esse assunto rende um novo tópico, fica para o próximo.

“A utopia consiste na idéia de idealizar não apenas um lugar, mas uma vida, um futuro, ou qualquer outro tipo de coisa, numa visão fantasiosa e normalmente contrária ao mundo real”.

“In totun – Do latim, que significa em geral, no todo, totalmente etc".

9 de setembro de 2009

Parte 15 – Existe vida após a obesidade, mas também existem problemas.

Gostaria de comentar e deixar claro neste post, que mesmo após eu estar vencendo um grande problema da minha vida, ou seja, a obesidade, não estarei livre de passar por situações complicadas, pois problemas e situações difíceis são iminentes, e muitas vezes contra a nossa própria vontade. É certo que o meu emocional, será testado várias vezes daqui pra frente. No meu entender, apenas um dos problemas da minha vida, é que está sendo solucionado neste momento. Ninguém está livre de passar por situações, em que as emoções venham à tona, muito menos os ex-obesos.

Neste final de semana, infelizmente chegou ao fim o meu primeiro relacionamento após a gastroplastia. Mas antes que pensem qualquer coisa, quero registrar que conheci uma pessoa maravilhosa, no qual pude aprender muito, e felizmente, mesmo após o término, nos tornamos grandes amigos, e não perderemos o contato um com o outro, apenas não deu certo neste momento, e sequer temos mágoas um do outro. Foi uma experiência boa no geral, tenho que levar isto em consideração, mas pela primeira vez, pude sentir o coração estremecer, afinal de contas, estava terminando um relacionamento, é normal sentir-se triste com esta perda. E imagine nós, que já estamos passando por uma transformação tão grande em nossas vidas, onde “1000 anos parecem ser vividos em 10 anos”, vivenciarmos situações que mexam com o nosso emocional. Temos que estar preparados psicologicamente e emocionalmente para estes acontecimentos.

Porque estou tocando neste assunto?

Infelizmente a vida não é só de alegrias, para as pessoas que estão conseguindo vencer esta batalha, de acabar de vez com a obesidade, trata-se sem dúvida de uma enorme solução para diversos problemas, sejam eles de saúde, preconceito, emocionais etc. Mas não estamos livres de perdas e de tropeços na vida, pois literalmente a vida continua, e como será que devemos encarar essas fortes emoções daqui por diante?

Me chama muito atenção um dado e um fato importante, isto é, vejo as pessoas caindo numa certa euforia nos primeiros meses, é compreensível, não há como negar, pois o resultado vindo, fica evidente que uma felicidade muito grande bate dentro de nós, mas e depois? Será que a graça vai acabar? O encanto? As pessoas acostumam com você, e os desafios da vida estão por vir, caberá neste momento, uma atenção e controle muito grande dos nossos atos. No meu íntimo, posso afirmar que penso nisto todos os dias, pois não quero botar tudo a perder. A euforia inicial que surgiu no início, poderá dar lugar a uma depressão, compulsão por jogo, vício em bebidas etc.

Eu particularmente, me considero com um bom alto controle, e quando vejo que alguma coisa está errada, imediatamente peço ajuda. Mas evidentemente que não estamos livres dessas situações, se procurarmos, encontraremos muitos relatos de pessoas que botaram tudo a perder. O exemplo negativo serve para nos empenharmos ainda mais, e não descontarmos nossas aflições em alternativas ruins, e que possam vir a destruir nossas vidas, nunca devemos perder o foco, pois como foi dito anteriormente, ser gastroplastizado, é viver numa vida de regras.

A minha frase é:

- No fundo do meu poço, existe uma mola gigantesca!

6 de setembro de 2009

Agradecimento.



Olá pessoal.

Sempre que eu posso, faço as minhas corridinhas de 5 ou 6 quilômetros, ai está um incentivo para vocês, exercícios ajudam muito, o resultado aparece rápido. Mas não criei este post para falar disto, serei breve, na verdade trata-se de um agradecimento. Estou aqui para agradecer ao Dr. Jamel e sua equipe por tudo! Jamel não é só o meu médico, acabou se tornando também um grande amigo, uma amizade que eu tenho certeza que será duradoura. Agradeço também a toda equipe envolvida, ou seja, Drs. Isaac, Léo e Ednalda. Agradeço também as senhoritas Loraine e Simone, nutricionista e pisicóloga respectivamente, que como muita competência e segurança, souberam me orientar de forma a cumprir com os meus objetivos.

Meu querido amigo Jamel! Você tinha toda a razão, 73 kg era garantido.

Abraços.

5 de setembro de 2009

Técnica: Bypass gástrico em Y de Roux - Capella.

Histórico:

O "Bypass Gástrico" é a "Cirurgia Bariatrica" mais frequentemente realizada no mundo. Setenta por cento das cirurgias bariatricas feitas no mundo são Bypass Gástrico. Essa cirurgia também é conhecida como "Cirurgia de Fobi e Capella" ou "Septação Gástrica".Mason (o Pai da Cirurgia Bariatrica Mundial) e Ito, dois cirurgiões americanos, perceberam na década de 1960 que os pacientes que tinham gastrectomias (retirada parcial ou total do estomago) para tratamento de úlcera gastroduodenal emagreciam. Concluíram que o fator emagrecedor era duplo. O primeiro fator era "a diminuição do estomago para um volume de 100 ml" e o outro era "a comida não passar pelo duodeno e jejuno inicial". Resolveram então fazer a mesma cirurgia com a finalidade de causar emagrecimento em obesos mórbidos.

Em 1967 iniciou-se a era do Bypass Gástrico para tratamento da Obesidade. Em 1986 Mal Fobi , apresentou a mesma técnica porem "sem a retirada do estomago do corpo", ou seja, a comida só passa por um estomago reduzido mas o restante do estomago continua no corpo. Dessa forma o estomago seria separado em 2 estomagos: um pequeno de 100 ml por onde a comida passava (pouch) e outro grande de 1.500 ml por onde a comida não passa (estomago excluso).Essa modificação acrescentou 2 vantagens. A primeira é que a cirurgia passou a ser realizada em tempo mais curto (fator importante para reduzir complicações cardio pulmonares em pacientes já previamente graves pela obesidade). Observe que a "não retirada de peças do corpo" é importante porque torna a cirurgia "reversível". A segunda era evitar as complicações de uma gastrectomia. Fobi tambem criou um anel de silicone que impedia a dilatação do estomago.

Em 1991 Rafael Capella sugeriu a diminuição do pouch de 100 ml para 20 ml e passou a proteger o pouch com o intestino delgado para evitar fistulas (vazamentos). Ao invés de usar o anel de silicone (de Fobi) ele usava uma tira de tela de polipropileno. Criou-se assim a Técnica de Fobi e Capella.Em 1994 Wittgrove e Clark fizeram o primeiro Bypass Gástrico por Videolaparoscopia onde a única diferença em relação ao Fobi e Capella era a ausência de anel ou fita. Até hoje o "Bypass Gastrico por Videolaparoscopia" é tido como o "Padrão Ouro" da Cirurgia Bariatrica.

Mecanismo de Ação:

O mecanismo de funcionamento dessa cirurgia é duplo, baseia-se em Nutrição Ileal e Redução Gástrica:

Nutrição Ileal:

Nutrição Ileal, ou seja "fazer a comida chegar no intestino delgado terminal". Quando a comida chega ao intestino terminal existe a produção de hormônios que causam a saciedade a nível cerebral logo a pessoa não quer mais comer (perde a fome). Alem disso esses hormônios fazem a comida voltar de marcha ré para o estomago causando desconforto estomacal traduzido como empachamento. Esse é o "Grito do Intestino Satisfeito" que pede para o corpo parar de comer. Alem disso esses hormônios melhoram a produção de insulina de pâncreas cansados, melhorando a Diabetes tipo 2. O duodeno e o jejuno proximal são trechos do intestino que tem altíssimo poder de absorção, ou seja, grande parte da comida passa rapidamente do intestino para o sangue nesses trechos. A comida moderna, infelizmente, não contem fibras e, pior ainda,é baseada em carboidratos. Esse tipo de "comida moderna" é de facílima absorção e quase a totalidade desse tipo de comida é absorvida para o sangue nesses trechos. Dessa forma não chega comida no intestino e assim não existe o "Grito do intestino". Essas pessoas comem, continuam com fome e comem mais. O Bypass Gástrico cria um "atalho" no tubo digestivo. A comida vai passar por um estomago pequeno que será costurado ao jejuno médio. Em outras palavras a comida não passa pela maior parte do estomago, nem pelo duodeno e nem por 70 cm de jejuno inicial. Essa modificação vai impedir a intensa absorção alimentar que ocorreria nesse trecho. Assim a comida chegará ao intestino delgado terminal e ocorrerá o Grito do Intestino e a fome diminuirá logo após o inicio da refeição.Esse é o principal mecanismo emagrecedor do Bypass Gástrico. Talvez 95% dos pacientes que foram submetidos a essa técnica não sentem mais fome como antes. Essa caracteristica parece manter-se para sempre conforme relato dos gastrectomizados por ulcera (cirurgia realizada desde 1880).

Redução Gástrica:

O estomago funcional (pouch) é pequeno,tem ao redor de 20 ml, e a passagem do alimento desse pouch para o intestino é retardado por algum "fator atrapalhante" (anel ou costura calibrada). O paciente sente que precisa esperar alguns segundos entre duas deglutições. É como uma ampulheta onde a comida precisa de um tempo para passar do compartimento de cima para o de baixo.Ele sente-se empachado com pouca quantidade de comida.Esse fator atrapalhante é importante para ensinar o paciente a comer devagar e ter "Saciedade Gástrica". Nunca fazemos muito justo porque não desejamos que nosso paciente vomite. Acreditamos que a qualidade de vida do "vomitador" seja ruim. Queremos que ele coma normalmente qualquer tipo de comida (exceto bagaços de fruta, pois podem entupir o intestino). Prefiro atualmente a costura calibrada ao anel, pois se houver algum fator de cicatrização exagerada que estreite muito a passagem da comida, teremos a opção de realizar a dilatação endoscópica ambulatorial da anastomose gastrojejunal (costura que une o pouch ao intestino).Esse fator atrapalhante é importante para evitar a compulsão alimentar de ordem psicológica, porem se exagerado pode causar vômitos que alem de desagradável acaba as vezes "ensinando o paciente a comer doces" (que passam mais facil por não ter fibras) ao invez de carne e legumes. Ou seja, costura muito justa talvez engorde.

Resultados:

A proposta dessa cirurgia é a perda de aproximadamente 40 a 45% do peso total em aproximadamente 7 meses. Para tal o paciente precisa nesse período ter atividade física aeróbica para queimar as gorduras adquiridas no passado. Temos sete meses para realizar a queima das gorduras. Não adianta começar atividade física depois desse período pois o potencial de perda de peso se limita a 7 meses. Sugerimos caminhadas ou natação, pois não causam lesão por impacto nas articulações. Uma fratura de perna jogando futebol nesse período pode comprometer o projeto todo. Nesse período proibimos a ingesta de doces para não atrapalhar o "Projeto de queima de gorduras antigas".Após atingir o peso ideal, em provavelmente 7 meses, o paciente estará em um novo "Ponto de Equilibrio Global" com um corpo razoavelmente magro, provavelmente sem fome e com outras fontes de prazer. Nessa nova condição é permitido ingerir um pouco de doces e ter menos atividade física.A proposta é de oferecer uma boa qualidade de vida pois:

- Os pacientes provavelmente não sofrerão por fome, pois a grande maioria perderá grande parte da fome .Muitos pacientes esquecem de comer alguma refeição ocasionalmente;
- Comer não será mais um grande prazer, pois o paciente não terá muita fome. Como ninguém vive sem uma fonte de prazer, o paciente acaba encontrando outra fonte substituta (esportes, dançar, namorar, etc);
- Os pacientes não vomitarão com freqüência pois a costura é feita visando dar passagem a todo tipo de comida (exceto bagaços). Deve-se comer devagar e em momentos tranqüilos.
- Os pacientes geralmente não tem diarréia e as fezes não costumam ter odor forte.

Complicações:

As complicações cirúrgicas são raras e principalmente causadas por soltura de um grampo (fistula). Durante a cirurgia usamos grampeadores para separar e juntar o estomago e o intestino. Na cirurgia testamos todos os grampeamentos com um corante azul (Azul de Metileno). Se por acaso algum grampo ficou frouxo ocorre o vazamento do azul e nesses momentos nós costuramos a falha com fios cirúrgicos. A cirurgia só é encerrada quando não houver vazamentos. Em outras palavras ao final da cirurgia todos os grampeamentos estão invariavelmente perfeitos.A cicatrização completa de qualquer ferida cirúrgica ocorre em 30 dias e nesse período um grampo pode vir a soltar causando o vazamento de liquido gastrointestinal para a cavidade abdominal e assim acarretando em peritonite.Esse evento é raro, mas pode vir a ser muito grave. Precisamos evitá-lo. Nos primeiros 30 dias as costuras não podem sofrer pressões. Por isso nós orientamos ao paciente que alimente-se de 20 ml de líquidos ralos e coados com pausa de 10 minutos entre as tomadas.A mortalidade dessa cirurgia é descrita mundialmente ao redor de 0,6% e geralmente associada a grandes obesos com doenças graves desde antes da cirurgia. Acreditamos que a mortalidade de "continuar obeso" seja muito maior que a mortalidade da cirurgia, por esse motivo operamos obesos em qualquer situação (hipertensos, diabéticos graves, coronarianos, etc.). Entendemos que a cirurgia seja o único tratamento desses pacientes.

Acompanhamento:

É necessário que para toda a vida o paciente mantenha contato próximo com a Nutricionista para tratar eventuais alterações nos níveis de Vitamina B12, Ferro e Cálcio pois esses elementos são absorvidos com a colaboração do estomago e duodeno. Uma nutricionista especializada em Cirurgia Bariatrica consegue prevenir essas alterações com o uso rotineiro de vitaminas e sais minerais. Essa nutricionista também avalia se existe perda de massa muscular, nesse caso é importante suplementar a dieta com proteína em pó.Também é necessário acompanhamento com o cirurgião para:

- Avaliar cálculos de vesícula biliar. Todo emagrecimento rápido, com ou sem
cirurgia, pode causar a formação de cálculos na vesícula biliar. Estima-se que 20% dos pacientes operados desenvolvem essa doença. O calculo biliar pode obstruir o pâncreas causando a perigosa Pancreatite Aguda. Sempre que um exame de ultra-som diagnosticar a presença de cálculos na vesícula biliar é necessário programar a cirurgia para retirada da vesícula biliar (de preferência por videolaparoscopia também);

- Avaliar por Endoscopias Digestivas a presença de refluxo gastroesofageano ou de úlceras no pouch. Nesse caso será necessário o tratamento medicamentoso;

- Avaliar por Endoscopia a passagem de alimento pela costura entre o pouch e o intestino. Se muito estreita talvez planejar uma Dilatação Endoscópica dessa passagem. Os benefícios dessa cirurgia são evidentes em todos os campos possíveis como no tratamento da hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, colesterol, artroses de quadril e joelho, etc. Costuma causar grande melhora na auto estima e de forma geral nossos pacientes consideram-se mais felizes.Talvez 10% dos pacientes operados tenham uma reengorda parcial, que pode ocorrer alguns anos após a cirurgia. Esses casos são muito complexos e envolvem muitos fatores diferentes como, por exemplo: problemas psicológicos, compulsão por doces ou álcool. O tratamento inicial é sempre com a Nutricionista e com a Psicóloga.

Franco e Rizzi - Todos os direitos reservados.

Animação do Bypass gástrico.

4 de setembro de 2009

Parte 14 - Descobrindo o corpo.




Quando resolvi realizar esta cirurgia, não imaginava bem as mudanças que poderiam acontecer no meu corpo. Antes de me submeter aos procedimentos, procurei entender um pouco como fica a cabeça de um ex-obeso, isto é, como é a reação de uma pessoa como seu próprio “eu”, e com a sua própria imagem.

Existem níveis de obesidade, uns pesam mais e outros pesam menos. Para se ter uma idéia, há casos de obesos mórbidos com 220 kg. Imagine o índice de massa corpórea e o tamanho em si, de uma pessoa dessas. Eu ficava pensando aqui comigo:

- Caramba! Quando esta pessoa emagrecer, e perder todo o seu peso extra, ela ficará com um lençol de pele em cima.

Eu realmente pensava nesta situação, e apesar de eu não ter chegado a este nível de obesidade, ou seja, o último grau no meu entender, eu achava que teria outro problema pela frente. A minha pele já estava no limite, pelo menos eu achava, eu já apresentava uma boa quantidade de estrias na barriga, aliás, eu as odiava, elas eram horríveis, doíam e incomodavam bastante. Era difícil conviver com esse problema, tirar a camisa na praia, só depois de um tempo, não dava para competir com a rapaziada em forma, eu me sentia mal com esta situação.

Quando passei a estudar o assunto, e também conviver com gastroplastizados, procurei trocar informações sobre a flacidez. Acabei descobrindo que alguns não se importavam com o excesso de pele, já que por meio de uma cirurgia plástica, as “pelancas” poderiam ser removidas tranquilamente. Mas como dizem os médicos, cirurgia é igual a corte, corte é igual a uma cicatriz, então pensei:

- Caramba! Como é complicado consertar as coisas...

Mas logo depois esqueci esse assunto, e passei a pensar numa outra coisa. Fiquei pensando numa questão que envolve mais o psicológico, isto é, como é se enxergar no espelho e não ver mais aquela pessoa enorme na sua frente? Como será que a cabeça reage nesse momento? A mesma pergunta vale para as pessoas que não te vêem há algum tempo. Recentemente meu primo comentou com minha mãe, que eu já estou magro demais! Quando soube, não fiquei aborrecido com ele, eu sei que deve ser estranho, pois ela ainda tem na memória a imagem de outra pessoa. Nunca me viu assim em forma, e por isso pode achar que estou até doente, fato este, completamente descartado, já que meus exames médicos provam exatamente o contrário.

Durante esta jornada de emagrecimento, fui gradativamente aceitando as mudanças no meu corpo. Tudo vai se transformando, o tórax, os membros inferiores, superiores e até a face. Olhar no espelho, e ver uma pessoa que você mesmo nunca conheceu, de fato pode lhe trazer um certo descontrole momentâneo, ou até mesmo, como dizem na linguagem popular aqui no Brasil, um simples “nó na cabeça”.

Depois de eliminar cerca de 55 kg, não só vejo uma outra pessoa diante do tão temido espelho, mas como também fico reparando as mudanças no meu corpo. Em alguns momentos, eu mesmo me surpreendo, hoje pela manhã ao colocar o relógio de pulso, pude perceber mudanças. Isto mesmo, pois não foi somente o cinto da calça, que eu tive que cortar e levar no sapateiro para ajustar várias vezes. O pulso afinou também, as mãos eram inchadas e pareciam umas bolas, e hoje, é completamente diferente.

Quando me recolho aos meus aposentos, deito na cama e ponho as mãos no meu quadril, posso sentir pela primeira vez, em pleno os 34 anos de idade, os ossos “ilíacos” da minha bacia. Para uma pessoa que nunca foi obesa, pode ser a coisa mais natural do mundo, mas eu vejo com outros olhos, os olhos da conquista e da vitória.

Felizmente tenho percebido que minha pele tem me ajudado, as estrias, aquelas que eu odiava, praticamente desapareceram, e não tenho flacidez também. Mas alguns podem não ter a mesma sorte, mas não se deixem abater, a plástica poderá resolver este problema, ou dependendo do caso, quem sabe uma musculação poderá por “ordem na casa”.

São inúmeras descobertas, ficaria aqui horas descrevendo cada uma delas, o que quero deixar aqui é a seguinte mensagem:

“Pequenas mudanças implicam em grandes transformações, curta cada uma delas de maneira saudável”.

“Estria são os fibroblastos presentes na derme, que produzem fibras chamadas colágeno e elastina, elas conferem resistência e elasticidade à pele, respectivamente. Apesar das fibras de elastina conferirem elasticidade à pele, elas têm um limite. Quando a pele estica demais, esse limite é ultrapassado, então ocorrem rupturas nas elastinas da derme, que dão origem as estrias. É por isso que na adolescência, fase de rápido crescimento corporal e também na gravidez, há grande tendência para o surgimento de estrias. As elastinas rompidas cicatrizam, no entanto, o novo tecido formado é do tipo fibroso e essa diferença de tecido é que dá o aspecto característico às estrias”.


“Os ossos ilíacos são os do quadril”.